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Política Terça-feira, 27 de Outubro de 2015, 09:00 - A | A

Terça-feira, 27 de Outubro de 2015, 09h:00 - A | A

Delator diz que gerenciava offshore para aposentadoria de Renato Duque

Dinheiro que entrava na empresa era oriundo de propina, segundo o delator

G1.com

Em depoimentos prestados para acordo de delação premiada, João Antônio Bernardi Filho, admitiu que gerenciava a offshore Hayley a pedido do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Segundo os depoimentos, a Hayley recebeu US$ 9,4 milhões entre os anos de 2009 e 2013.

Para receber os valores, Duque procurou Bernardi, que conhecia há mais de 30 anos, conforme o depoimento. O delator disse que o então diretor da estatal contou que tinha valores importantes a receber nos próximos anos, e que gostaria de investir para usufruir dos valores na aposentadoria, quando assumiria a Hayley.

A Justiça Federal homologou nesta segunda-feira (26) a delação premiada de João Bernardi. Renato Duque, que já foi condenado a mais de 20 anos de prisão em processos da Lava Jato, está preso na Região de Curitiba.

Os pagamentos foram feitos, segundo Bernardi, a título de propina por representantes da empresa Confab, que mantinha contratos com a Petrobras. O delator afirmou que a empresa procurou Duque propondo os pagamentos de comissões proporcionais às ordens de compra que fossem emitidas.

Assim, foi constituída a Hayley, controlada por Bernardi, mas cujo beneficiário era Renato Duque. A empresa chegou a comprar 12 imóveis com os recursos recebidos, a maior parte deles no Rio Janeiro, e alguns em São Paulo. Além disso, foram adquiridas pelo menos 14 obras de arte.

Pelo gerenciamento da offshore, Bernardi deveria receber 50% dos ativos da Hayley, quando estes fossem vendidos. Dos 12 imóveis, no entanto, apenas um chegou a ser passado adiante.

Conforme Bernardi, com as dificuldades do mercado imobiliário, ele optou por diversificar os investimentos da Hayley com as obras de arte – que tinham menor custo fixo e eram mais facilmente vendidas. Segundo a delação, foram investidos R$ 848,6 mil em quadros de artistas como Di Cavalcanti, Alfredo Volpi, e Guignard.

A defesa de Renato Duque informou ao G1 que não irá se manifestar sobre o conteúdo da delação até que seja intimada. Em nota, a Confab informou que não irá comentar o assunto.

Pró-labore

João Bernardi afirmou que, diante das dificuldades do mercado imobiliário, ele e Renato Duque mudaram o acordo sobre os valores a que o delator teria direito. Ao invés de metade da venda dos ativos, o combinado passou a ser um pró-labore de R$ 10 mil mensais.

As retiradas ocorreram entre janeiro e novembro de 2013, contudo, deixaram de ocorrer por falta de caixa, segundo Bernardi.

Cartão de crédito

O delator disse que um cartão de crédito da Hayley chegou a ser emitido no nome de Christina Maria da Silva Jorge, que atuava como administradora da empresa. Na realidade, segundo Bernardi, ela era advogada e assistente do escritório de advocacia que prestava serviços no exterior para a Hayley.

Quem utilizava o cartão, no entanto, era o próprio Renato Duque, de acordo com Bernardi. Segundo o delator, Duque utilizou pouco o cartão porque o fato de estar no nome de uma mulher lhe trazia certo desconforto na utilização, especialmente quando era requisitada a apresentação de documento.

Assalto

O delator ainda negou a versão de que foi assaltado no Rio de Janeiro quando levava R$ 100 mil em propina para Duque na Petrobras. Segundo Bernardi, o dinheiro era referente a despesas dos imóveis administrados pela Hayley, entregues pelo advogado que auxiliava a gestão da empresa.

De acordo com o delator, pouco depois de sair da agência bancária onde recebeu os valores do advogado, ele foi abordado por um homem com dois revólveres, que levou a maleta com o dinheiro. Conforme o delator, o assaltante disse que recebeu a dica para assaltar Bernardi através de um gerente do banco de onde ele havia acabado de sair.

Dos R$ 100 mil, R$ 43 mil foram recuperados no mesmo dia pela polícia e devolvidos a Bernardi. O restante, porém, se perdeu durante a perseguição policial, segundo o delator.

Júlio Camargo

Ainda segundo Bernardi, a Hayley também recebeu US$ 1 milhão de Júlio Camargo, outro operador também delator da Lava Jato. Os valores foram recebidos em 2011, com consentimento de Renato Duque, que não explicou a origem do dinheiro. Os recursos foram investidos em ações, conforme Bernardi.

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