“De mocinhos, os promotores do Gaeco, os promotores da 14ª Promotoria, viraram vilões por astúcia, por ação indevida dessas organizações criminosas”, disse a senadora Selma Arruda (PSL), em discurso proferido no Senado Federal nessa segunda (05.08). A fala de Selma foi referente aos depoimentos do cabo da Polícia Militar, Gerson Corrêa, que denunciou a participação de membros do Ministério Público do Estado, nas escutas ilegais instaladas em Mato Grosso, conhecida como “grampolândia pantaneira”.
Selma comparou a situação – acusações a membros do MPE/MT -, com a do ministro da Justiça Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol – ambos tiveram conversas vazadas após terem os aparelhos celulares hackeados.
Segundo Selma, Mato Grosso vive uma situação de descalabro, em que a democracia está seriamente ameaçada pelo constante aviltamento aos mais basilares princípios do Estado democrático de direito. A senadora citou a Operação Lava Jato que, conforme ela trouxe os crimes de corrupção ao conhecimento do povo e hoje vive um novo ciclo: “em que os bandidos viraram mocinhos e os mocinhos viraram bandidos”.
Selma acusa Pedro Taques de ter armado a grampolândia pantaneira em Mato Grosso. “Existe no meu Estado, uma tal de grampolândia pantaneira, uma armação que foi feita por um ex-governador e seu irmão, primo, sei lá quem, que visava ouvir ilicitamente alguns políticos e outras pessoas envolvidas... Na verdade eram pessoas oponentes a esse Governo. Trata-se de um cabo envolvido nessas interceptações ilegais, o cabo Gerson, que tem pretendido selar um acordo de colaboração premiada e, para tanto, já prestou inúmeros depoimentos – inverteu a ordem, inclusive, do procedimento legal”, acusou, sem explicar o ofício enviado ao ex-governador, quando respondia pela Sétima Vara Criminal, alertando sobre dois números interceptados ilegalmente, o que pode ter quebrado o sigilo das investigações, conforme dado com exclusividade pelo oticias – confira: Ligação de Selma com Taques é questionada em inquérito dos grampos ilegais.
De acordo com Selma, em cada uma das versões que cabo Gerson apresenta, se veem inúmeras contradições. “Ele tem tentado sujar o nome do Gaeco dizendo que o Gaeco fez barriga de aluguel. Bom, a falácia desse criminoso acabou fazendo com que essas organizações criminosas, que foram condenadas por ação do Gaeco, se fortalecessem e que agora, evidentemente, viessem a se levantar contra essa instituição”.
E continuou: “Então, da mesma forma que está acontecendo aqui – venho aqui, agora, de público, denunciar –, no meu Estado de Mato Grosso acontece a mesma coisa. De mocinhos, os promotores do Gaeco, os promotores da 14ª Promotoria, viraram vilões por astúcia, por ação indevida dessas organizações criminosas. Isso deve servir para nós, legisladores, isso deve ser para nós, cidadãos, como um alerta de como as organizações criminosas costumam agir. É dessa forma. É por isso que elas são tão fortes, é por isso que é tão difícil derrubá-las. Elas sempre vão conseguir, mediante influência política ou mediante a força do dinheiro, a força da corrupção e do suborno, reverter as suas perdas. Isso é uma coisa de extrema importância, de extrema gravidade, sobre a qual nós devemos, sim, sentar os olhos”.
A senadora destacou a atuação do Ministério Público e o Gaeco no combate a corrupção em Mato Grosso. “Eu venho aqui para render as minhas homenagens ao pessoal do Gaeco, que eu vi trabalhando diuturnamente até a madrugada, virando noite, levantando documentos, fazendo análises minuciosas, sérias, que resultaram na condenação desses corruptos. E venho dizer aqui que eu não admito e não vou admitir que o nome do Gaeco seja aviltado, seja colocado à prova por quem quer que seja”.
Ao finalizar, Selma criticou a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso. Segundo ela, a Ordem dos Advogados do Brasil precisa se comportar institucionalmente e não por interesse pessoal.
“Apenas fazendo uma última colocação: o meu repúdio à atitude da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de Mato Grosso, que tem acompanhado e fomentado essa inversão de valores. E também o meu repúdio à Ordem dos Advogados Nacional, que, da mesma forma, age, porque alguns de seus membros têm interesse próprio, em favor dessas organizações criminosas e, com isso, mancha o nome de tantos e tantos advogados honestos, limpos e que trabalham”.
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