O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Marcos Machado requereu na 11º Vara da Justiça Militar, o arquivo de mídia do depoimento do cabo PM, Gerson Corrêa, realizado em 17 de julho passado.
"Juntada de Pedido - requerente Marcos Henrique Machado solicitando disponibilização do arquivo de mídia do depoimento do CB PM GERSON LUIZ FERREIRA CORREA JUNIOR realizado no dia 17.07.2019", diz andamento processual da ação criminal relativa aos grampos ilegais.
Machado não revelou o motivo da solicitação, contudo, segundo fonte do oticias, é para embasar a ação civil contra o promotor de Justiça, Marco Aurélio de Castro, a fim de provar que o promotor é responsável pelo vazamento do áudio em que aparece em conversa com o ex-governador Silval Barbosa, na época que acontecia a Operação Ouro de Tolo.
O áudio foi vazado em 2015, e expôs uma conversa que ele teve com o ex-governador Silval, quando a ex-primeira-dama Roseli Barbosa estava presa, por ser alvo na Operação. À época, a especulação era que o então coordenador do Gaeco, o promotor Marco Aurélio, teria facilitado a divulgação do áudio para mídia.
Na interceptação telefônica, Machado conversou com Silval após a prisão de Roseli e acabou sendo representado por suposto tráfico de influência no TJ e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no entanto, conseguiu provar que o telefonema foi apenas uma forma de solidariedade.
Conforme a fonte, o desembargador tenta provar com a declaração de Gerson que a intenção do promotor era denegrir sua imagem, com vazamento de investigações sigilosas.
Em seu depoimento no dia 17 de julho, Gerson contou que ouviu a conversa entre Silval e Machado oriunda de uma 'barriga de aluguel' feita pelo Gaeco. “O marco inaugural da sequência de ilegalidade concernente à divulgação sem justa causa com informações sigilosas se deflagra no dia subsequente a prisão da senhora Roseli Barbosa, haja vista que no dia 21 de agosto de 2015, o fluxo de chamadas redirecionadas para o sistema guardião, ele (sistema) anotou o dialogo do senhor Silval Barbosa e do senhor Marcos Machado”, narrou Gerson.
O cabo também descreveu que ficou claro nas escutas a ligação entre ambos, e Marco Aurélio tratou este material como valioso. “Foram identificados que o senhor Silval Barbosa estava ligando para o desembargador Marcos Machado, isso foi identificado no mesmo dia, eu identifiquei essa ligação, eu passei essa informação imediatamente para o doutor Marco Aurélio, que tratou essa informação como ingrediente valioso”.
Após informar o coordenador, foi solicitado o recorte do áudio e a coleta foi feita em um pen drive ou um cd (Gerson não soube precisar) diretamente do guardião e passado em mãos ao doutor Marco Aurélio.
Os fatos relatados pelo cabo devem estar no processo de Machado e também é alvo de outras investigações instauradas pela Procuradoria Geral de Justiça de Mato Grosso.
Outro lado -
A reportagem do oticias entrou em contato com o desembargador Marcos Machado para saber o motivo da solicitação do depoimento do cabo, o mas o magistrado limitou-se a dizer que não comenta questões pessoais. “Não trato de assunto pessoal pela imprensa”, disse ele ao
oticias.
A reportagem também não conseguiu confirmar qual ação foi impetrada por Machado, já que a única que vincula ao seu nome no sistema do Tribunal de Justiça, corre em segredo de justiça.
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