O deputado estadual Carlos Avalone (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (02.04) que o avanço das obras do BRT na região da Prainha, em Cuiabá, exigirá atenção especial, principalmente quanto aos impactos sobre o trânsito e o meio ambiente. Em entrevista à imprensa, ele ponderou que a intervenção, por sua complexidade, deve ser acompanhada mais de perto pela Comissão de Infraestrutura da Assembleia Legislativa.
Segundo Avalone, há preocupação de diversos setores — empresários, população e autoridades — sobre os transtornos que serão causados, especialmente pelo fato de o trecho envolver áreas sensíveis, como o córrego da Prainha. O deputado também destacou que o Ministério Público acompanha a situação com foco nos possíveis danos ambientais.
“Isso vai ter repercussão em todos os sentidos, inclusive eleitoral. Quem está mais preocupado com isso é o governador Mauro Mendes, porque é um projeto no qual ele empenhou o nome. A decisão pelo BRT foi dele e agora há uma expectativa de entrega. Mas, como alguém da área de construção, afirmo que não tem como concluir tudo até o fim do mandato, principalmente se ele deixar o cargo em abril de 2026”, avaliou.
Para Avalone, a execução da obra por etapas pode ajudar a amenizar os impactos, mas não elimina o desafio. Ele destacou que qualquer intervenção urbana de grande porte causa transtornos, e o importante é que as metas definidas sejam cumpridas com clareza e prazos viáveis.
O parlamentar também comentou sobre a sobreposição das intervenções do BRT com as obras da Águas Cuiabá na mesma região. “Já vai mexer com tudo, e mexer com água é normal. O transtorno é grande mesmo. O que não pode é deixar tudo arrebentado e sem conclusão”, afirmou.
Questionado sobre os reflexos políticos do andamento das obras, Avalone foi direto: “Se o BRT não estiver pronto e estiver causando transtorno, isso pode ser um problema para o projeto político do governador em 2026, caso ele seja candidato ao Senado. Quando a obra dá certo, é vantagem. Quando dá problema, vira desvantagem”.
O deputado também criticou os embates entre o governador Mauro Mendes e o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, que travaram disputas em torno da escolha entre BRT e VLT. Para ele, a rivalidade entre os dois prejudicou o andamento dos projetos de mobilidade urbana na região metropolitana.
“Aquela briga passou dos limites e atrapalhou. Agora, sem o conflito, há mais chances de algum avanço. O ideal é que se consiga entregar ao menos uma linha funcionando, mesmo que parcialmente. Se não entregar nada, a população vai se frustrar. E isso não é opinião, é constatação”, concluiu Avalone.
Entre no grupo do VGNotícias no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).