Um sargento da Polícia Militar foi condenado por agredir duas mulheres que deixavam uma festa de 15 anos no município de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá.
Conforme decisão do juiz Moacir Rogério Tortato, 11ª Vara Criminal Militar de Cuiabá, proferida em 19 de fevereiro, o militar foi sentenciado a 4 meses e 6 dias de detenção em regime aberto.
Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), em 24 de julho de 2022, por volta das 18h, na cidade Primavera do Leste, 1° sargento da Polícia Militar, R.G.R., abordou os ocupantes de um veículo Ford Fiesta, que deixava uma festa de 15 anos no município. O PM começou a agredir um rapaz que estava junto ao grupo e, diante dessa situação, uma das meninas presentes, interveio, dizendo que não era necessário agredir o rapaz, pois ninguém estava fazendo nada errado, apenas conversando.
O acusado, contudo, reagiu de forma agressiva e desferiu um tapa no rosto dela. Na sequência, uma adolescente de 15 anos também se manifestou, razão pela qual o acusado ordenou que a menor se calasse e partiu em sua direção, motivo pelo qual a mãe tentou intervir para proteger a filha, mas acabou sendo agredida.
As mulheres agredidas foram algemadas, colocadas na viatura policial e, em determinado momento, o policial utilizou spray de pimenta, causando sufocamento.
O que diz o PM
O 1° sargento da Polícia Militar, R.G.R., em juízo, relatou que, no momento da abordagem, estavam presentes três mulheres e três homens em um veículo, consumindo bebidas e participando de uma festividade. As mulheres, cujos nomes não recorda, questionaram a ação policial, que se limitava a ordenar que elas colocassem as mãos na cabeça para que os policiais pudessem revistar os homens que as acompanhavam.
Segundo ele, as mulheres reagiram de forma alterada, tentando impedir a abordagem dos rapazes, apesar de não haver intenção de realizar revista pessoal nelas.
O acusado afirmou que as mulheres se exaltaram e avançaram em sua direção, mas negou ter utilizado qualquer forma de agressão física, como chutes ou socos. Justificou que, devido ao seu peso, qualquer ação violenta de sua parte teria causado lesões significativas, o que não ocorreu. Informou que apenas empurrou uma das mulheres para conter a situação e algemou a outra. Após algemá-las, ambas foram colocadas no camburão e conduzidas em viaturas separadas dos homens.
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