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VGNE Segunda-feira, 24 de Março de 2025, 09:10 - A | A

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Tráfico Internacional de Armas

Armeiro do tráfico comprava armas de guerra entregues pelos Correios para facção, revela reportagem

Facção usava Correios, DHL e AliExpress para importar fuzis, granadas e drones; chefe do TCP segue foragido

Redação/VGN

Uma operação da Polícia Federal (PF) desmantelou um sofisticado esquema de tráfico internacional de armamento pesado que abastecia favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com a reportagem do Fantástico, exibido na noite desse domingo (23.03), a investigação revelou que armas de guerra como fuzis, munições, explosivos, granadas e até drones estavam sendo importados por meio de serviços postais, incluindo os Correios, e empresas de transporte como DHL. Até compras feitas pelo site AliExpress foram usadas na operação criminosa.

O esquema era chefiado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, um dos principais líderes da facção Terceiro Comando Puro (TCP). A PF identificou que Peixão mantinha contato direto com fornecedores internacionais, negociando a compra de drones e equipamentos anti-drone. Em um dos áudios interceptados, o criminoso afirma: “A partir de agora, a gente já não vai parar mais não, né? Toda semana a gente vai estar comprando alguma coisa. Eu vou me programar pra semana que vem fazer uma compra de 100 mil.”

Peixão, que controla parte do Complexo de Israel, área com cerca de 140 mil moradores, contava com o apoio de Everson Vieira Francesquet, apelidado de “Deus” nas conversas com fornecedores. Everson, apontado como armeiro da facção, foi preso ao tentar retirar nos Correios um fuzil anti-drone disfarçado como “brinquedo eletrônico” em Nova Iguaçu. Em seu celular, a PF encontrou registros de negociações com vendedores da China e do Paraguai, além de comprovantes de envio de produtos por meio da DHL, com rastreamento internacional.

A reportagem revelou ainda que, as compras eram feitas em dólar e pagas por meio de transações via Pix, utilizando “laranjas” que movimentavam valores que chegavam a R$ 32 mil por operação. A PF apurou que fuzis vindos do Paraguai eram adquiridos por valores entre R$ 7.500 e R$ 15.000.

“Os problemas são muito grandes e complexos e exigem coordenação e união de esforço”, afirmou Fábio Galvão, superintendente da PF, em entrevista ao Fantástico. Ele defendeu ações conjuntas entre a PF, Receita Federal, IBAMA, Polícia Civil e Militar para conter a entrada de armamentos no Brasil.

Peixão continua foragido. A Polícia Civil já realizou operações para capturá-lo, incluindo a destruição de um resort do tráfico construído dentro de uma favela, com piscina, academia e lago artificial. Com as novas revelações, o traficante também foi indiciado por importação ilegal de armas e equipamentos de guerra.

Em nota, os Correios informaram que mantêm uma “atuação rigorosa no combate ao envio de objetos ilícitos” e que colaboram com as autoridades. A DHL Express afirmou que “não compactua com atividades criminosas” e acompanha o caso. O AliExpress declarou que repudia qualquer atividade ilegal e está à disposição para colaborar com as investigações.

A PF pede agora a transferência de Everson Francesquet para um presídio federal, diante da gravidade dos crimes. Ele responde por tráfico internacional de armas e participação em organização criminosa. (Com Fantástico)

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