O coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO) do Ministério Público Estadual (MPE), procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda e o promotor de Justiça Amarildo Fachone, negaram nesta quarta-feira (02.10) que membros do MP tenham envolvimento na prática “barriga de aluguel” e a falsificação de assinaturas em interceptações telefônicas.
Os policiais militares, cabo Gerson Correa e o coronel Evandro Lesco denunciaram as ilicitudes ocorridas, segundo eles, nas operações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Entre os denunciados estão o ex-procurador geral de Justiça, Paulo Roberto Jorge do Prado e o promotor Marcos Regenold Fernandes.
O procurador Domingos Sávio explicou, em entrevista coletiva, que no âmbito da Sindicância aberta para apurar os indícios de crime supostamente praticado por Paulo Prado (entrega de placas Wytron do Gaeco para serem utilizada pelo escritório de interceptações telefônicas ilegais), se verificou a inocência do procurador.
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Conforme ele, a Sindicância chegou a este entendimento porque a empresa Wytron Tecnhnology Corporation Ltda não confirmou que as placas do escritório clandestino de interceptações eram as mesmas utilizadas pelo Gaeco, e que a falta de uma perícia no equipamento, já que Gerson destruiu o mesmo ao jogar nas águas do rio Cuiabá. Além disso, não existia qualquer número de série para comparação dos equipamentos, ficando restrita a investigação na declaração de cabo Gerson, que por ter trabalhado no Gaeco, afirmou ter reconhecido as placas como a mesma utilizado pelo órgão ministerial.
Ele ainda destacou as contradições nas declarações do militar: coronel da PM, Zaqueu Barbosa afirmou que recebeu as placas do coronel Celso Henrique – morto em 2016, vítima de um atropelamento na BR-070 -, após Termo de Cessão de Uso de Bem Móvel a Título Gratuito número 001/2010, ou seja, em 2011; enquanto que Lesco disse que o equipamento havia sido entregue por Paulo Prado em 2013. "Além disso, houve falha na pessoa responsavél pelo Termo de Cessão, que seria apenas para seis meses e não se atentou", afirmou o procurador.
O Naco inocentou também o promotor Marcos Regenold Fernandes da denúncia de falsificação. Ele era acusado de falsificar relatórios de interceptações telefônicas em investigações de tráfico de drogas.
Amarildo Fachone afirmou que nas investigações o analista Anderson Boaventura, responsável pelos relatórios, reconheceu que as assinaturas nos documentos eram dele (Anderson), negando a suposta fraude. Além disso, apurou que todos os pedidos realizados por Regenold no âmbito das investigações foram seguindo o relatório de Anderson, inclusive o que colocou fim a escuta por não detectar indícios de crime nos telefonemas interceptados.
Além disso, Fachone negou veemente irregularidades nos pedidos de interceptações telefônicas feitos pelo Gaeco na Justiça. Militares acusaram os promotores de realizarem os pedidos sem base legais e de forma aleatória, apenas amparados no fato da pessoa ser alvo da investigação. “Isso é um procedimento legal e padrão. Já foram abertos outros procedimentos para apurar isso e foi arquivado demonstrando que não existe irregularidade em pedido de interceptação caso a pessoal seja alvo da investigação”, disse Amarildo.
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