26 de Fevereiro de 2025
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Cidades Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2015, 09:50 - A | A

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Embate

Obras do miniestádio Figueirinha travam por disputa de área entre município e pré-candidato

Becão afirma que área pertence a ele e vai provar na Justiça

Edina Araújo & Lucione Nazareth/VG Notícias

Pré-candidato a vereador pelo DEM, Benedito Santana de Arruda - popular Becão, tenta impedir a revitalização e construção do miniestádio José da Silva Oliveira - “Bife”, localizado no bairro Figueirinha, em Várzea Grande, alegando ser proprietário da área.

Nessa quarta-feira (02.11), o topógrafo fazia medição da área quando Becão chegou ao local e retirou as estacas, na tentativa de proibir que os serviços fossem realizados. A Guarda Municipal e a Polícia Militar foram acionadas e explicaram a Becão que ele só poderia impedir, se houvesse um mandado, e que ele deveria procurar à Justiça, caso contrário o serviço iria continuar.

Em entrevista ao VG Notícias, o morador Miguel Jocenil, que reside há mais de 35 anos no bairro Figuerinha, relatou que Becão visita a área diariamente, atrapalhando os funcionários da Prefeitura a realizar os serviços, sempre argumentando que é proprietário e que nenhuma construção pode ser realizada no local.

“Essa área aqui é pública. Desde que moro aqui há mais de 35 anos pertence ao município. Agora ele disse que tem documento”, disse o morador, ao relatar que Becão teria declarado possuir um suposto documento lavrado em cartório, que comprovaria que o terreno seria de sua propriedade.

Já o secretário de Defesa Social de Várzea Grande, coronel Walter de Fátima, explicou à reportagem que apesar das declarações de Becão, o espaço do miniestádio é público ao afirmar que o “tal documento” apresentado por ele (Becão) seria supostamente falso e feito na gestão passado

“Trata-se de uma área pública, é uma possível escritura falsa. Uma certidão de propriedade emitida por um ex-secretário da Prefeitura, que o cidadão (Becão) alega que é proprietário. Isso tem que ser discutido na justiça. O que não pode é um cidadão a força impedir o serviço público isso deve ser discutido na justiça”, disse.

 “Enquanto ele não entrar na Justiça para embargar a obra o pessoal vai continuar trabalhando, porque o campo é nosso”, destacou o morador ao dizer que o campo que está previsto para ser construído sempre existiu naquele espaço.

Já um dos funcionários contratados pela empresa que irá executar a obra no miniestádio, Sérgio Roberto, disse ao VG Notícias, que o serviço de topografia já era para estar pronto e as obras iniciadas, por conta da interferência de Becão, os trabalhos estão atrasados.

“Até argumentei com ele, o senhor pode até ser o proprietário, pode achar que está errado, mas o senhor deve procurar o meio judicial, vim aqui com oficial, intima a gente para parar o serviço. Nós não sabemos nada, somos contratados para trabalhar. Eu estou trabalhando, ganhando o pão de cada dia, então o senhor não pode fazer isso”, declarou.

Importante destacar que a obra de revitalização do miniestádio está sendo realizado com recurso do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a empresa Praime/MRV com o Ministério Público, no valor de R$ 140 mil.

Outro Lado – Em entrevista ao VG Notícias, Becão confirmou que esteve no local da obra e jogou as estacas fora e reafirmou que a área pertence a ele e vai provar na Justiça com documentos.

Becão disse que o ex-senador Jaime Campos (DEM0 e o presidente da Câmara de Várzea Grande, vereador Jânio Calistro (PMDB) foram deselegantes com ele, por não tê-lo chamado para conversar.

“Os tempos são outros. Este pessoal está enganado. Acham que podem chegar dizendo que a área pertence ao município e ficar por isso mesmo. Vou buscar meu direito, meu advogado já entrou na Justiça. Eles estão acostumados a desapropriar áreas e não pagar. Não pagaram pela área do Pronto-Socorro, não pagaram pela área do fiotão e nem da Câmara, mas comigo não vai ficar assim não. Porque Jaime Campos não mostrou o documento da Prefeitura se é que tem. Eu tenho documento da Prefeitura afirmando que aquela área é particular, por isso vou brigar até o fim”, ameaçou Becão.

Conforme ele, no próprio decreto que embasou a desapropriação do miniestádio para o governo do Estado a fim de realizar a duplicação da Estrada da Guarita, consta que o espaço era de propriedade particular.

“Eles vão construir um estádio para mim. Eu vou ficar com o campo para mim. Vou alugar ele, vou ganhar dinheiro com ele lá”, ironizou.

Apesar disso, Becão afirmou que se a Prefeitura “provar” na justiça que área é de propriedade pública entregará o espaço para ser usado pelo município.

Becão mandou um recado, mas não disse para quem: “Eu acho que foram deselegantes comigo, só porque é Becão. Porque tudo tem que me atropelar. Passar por cima de mim. Eles tinham que ser mais humilde. O ser humano tem que ter humildade. Porque não me chamaram na Câmara. Chega lá querer peitar eu. Eu o desmoralizo, pensa que é o que? Ele tem telhado de vidro. Tem telhado de vidro”, finalizou.

A reportagem do VG Notícias questionou de quem ele teria comprado a área, mas Becão se recusou a informar.

Entenda – Em 27 de agosto de 2014, foi publicado um decreto no Jornal Oficial dos Municípios (AMM), em que o então representante oficial de Várzea Grande na SECOPA, Roldão Lima Junior autorizando a demolição do miniestádio José da Silva Oliveira - “Bife”, localizado no bairro Figueirinha.

O miniestádio era a única área de lazer da região, por conta disso os moradores se reuniram para cobrar a recuperação do espaço, que havia sido comercializado na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), por mais de R$ 750 mil, para dar lugar a duas alças que formariam a rotatória que ligaria a avenida Aleixo Ramos - mais conhecida como Estrada da Guarita.

Em contrapartida, conforme o decreto municipal da época, o então governo do Estado, por meio da Secopa, devolveria ao município R$ 767.705,65 mil em benfeitorias no local.

Confira decreto assinado na gestão de Walace: 

 

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