A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Ipase, em Várzea Grande, está sendo utilizada para a esterilização de materiais do Hospital Vale dos Lírios, localizado no bairro Parque do Lago, no mesmo município. A denúncia, acompanhada de documentação e imagens, foi recebida com exclusividade pela reportagem do nesta terça-feira (25.02).
As imagens mostram os materiais a serem esterilizados armazenados em uma autoclave da UPA do Ipase. Um documento obtido com exclusividade pela reportagem indica que o envio desse material ocorreu sob "autorização" de Alessandro Brito, atual coordenador da unidade.
O documento aponta que a UPA deveria esterilizar pacote de cirurgia geral, caixa cesariana, duas caixa básica, três caixas de histerectomia, oito pacotes de compressa no grau cirúrgico, três canetas cautério, três bandejas bloqueio, uma pinça no grau cirúrgico e uma tesoura pequena no grau cirúrgico.
Alessandro Roberto Rondon de Brito é considerado uma pessoa de confiança do grupo familiar da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL). Ele é primo do ex-marido da prefeita.
Atualmente, Alessandro ocupa o cargo de coordenador administrativo da UPA do município (DNS 04), recebendo um salário de R$ 3.500,00, além de uma verba indenizatória de R$ 1.500,00. Ele desempenha suas funções na UPA do bairro Ipase.
Em fevereiro de 2021, Alessandro Roberto foi condenado, juntamente com outras cinco pessoas, por improbidade administrativa em um esquema que, segundo o Ministério Público Estadual (MPE), teria desviado R$ 6,3 milhões da Câmara de Vereadores de Cuiabá entre 2005 e 2006. De acordo com a denúncia, os desvios ocorreram em mais de 100 licitações da Casa de Leis, nas quais o grupo teria utilizado “empresas de fachada”, chegando a falsificar assinaturas de empresários.
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O que diz a Prefeitura
A reportagem do entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Várzea Grande para entender as razões do material ter sido esterilizado em uma unidade de saúde pública.
A secretária de Saúde, Deisi Bocalon, apresentou informação alegando que o material não foi esterilizado na UPA, contrariando a imagem que mostra o material na UPA.
Bocalon também afirmou que "quando chegou ao conhecimento da gestão, não atendeu e cancelou o pedido". Ainda segundo a secretária, se algo foi feito foi "por conta própria" do coordenador da unidade.
A secretária não informou a abertura de qualquer procedimento administrativo para investigar o caso, mesmo dando a entender que sabia do problema ocorrido.
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