O ator Carmo Dalla Vecchia postou um vídeo nas redes sociais lamentando a morte da menina Sophia, aos 2 anos. No vídeo, o artistas repercute uma matéria do g1, onde foi publicada uma denúncia do pai da menina. No conteúdo, Jean Carlos O Campo acusa a ex de homofobia durante as tentativas de buscar pela guarda da filha.
"Hoje eu vou contar uma história triste para vocês. A história da Sophia, que era uma criança de 2 anos, e morreu na última quinta-feira. [...] O pai da criança pediu a guarda da filha. Era melhor que a criança vivesse com a mãe e o padrasto violento, do que com o pai e o companheiro? [...] Será que o fato dele ser gay foi feito que a paternidade dele fosse duvidada?", narrou Carmo durante o vídeo.
Após a publicação do vídeo, vários outros artistas comentaram o vídeo de Carmo. A atriz Helena Fernandes escreveu: "Uma monstruosidade!! Puro preconceito!!".
A apresentadora Astrid Fontenelle também comentou a publicação de Carmo Della Vechia. "Uma história pautada pelo preconceito. De que é a responsabilidade dessa morte, além da mãe e do monstropadrasto?".
A atriz Heloísa Perisse se manifestou no post. "Pqp!!! Sem comentários!!! Alguém vai responder por essa omissão? Agora na verdade, tanto faz, o que nunca deveria ter acontecido, já aconteceu! Deus proteja esse pai!".
O caso de Sophia ganhou repercussão nas redes sociais. Vários influenciadores digitais, atores e personalidades levantaram a #JustiçaporSophia nas plataformas.
O vídeo foi publicado pelo casal Paulo Tardivo e Tiago Pessoa nas redes sociais. Na legenda, os dois escreveram: "A homofobia venceu! E infelizmente vence muitas vezes nesse nosso país. Mas quem sabe disso? Quem se interessa por isso? Alguma vítima!".
Desdobramento do caso
Em depoimento, a mãe de Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, confirmou que sabia que a menina estava morta quando procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Coronel Antonino, no dia 26 de janeiro.
“O médico legista constatou que Sophia foi morta entre 9h e 10h do dia 26 [de janeiro, sendo que ela foi encaminhada para a UPA somente às 17h. No período da tarde, ela já estava morta, e a mãe e o padrasto estavam em casa”, disse a delegada Anne Karine Trevisan durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (6).
Stephanie de Jesus Da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto de Sophia, estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável.
O laudo de necrópsia do corpo da menina, emitido pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), apontou que a causa da morte foi por traumatismo na coluna cervical e confirmou que a Sophia foi estuprada.
Na coletiva desta segunda, a delegada Anne Karine Trevisan informou ainda que durante o período que a menina estava em casa, já sem vida, a mãe e o padrasto tentaram criar uma narrativa que explicasse a morte. “Durante o depoimento, a mãe disse que a Sophia tinha passado mal, estava com a barriga inchada por ter comido muita maionese. O padrasto ficou em silêncio e não quis se manifestar”.
A quebra de sigilo telefônico do casal mostra que os dois sabiam das implicações da morte da menina de 2 anos e 7 meses e tentavam criar uma história para contar à polícia. “Inventa qualquer coisa, diga que ela caiu no parquinho”, escreveu o padrasto da criança.
O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por Jean Carlos Ocampo, pai de Sophia, ns quais ele relatou maus-tratos. O homem fez inúmeras denúncias no Conselho Tutelar e tentou conseguir a guarda nos últimos 13 meses.
Quando a morte da garota completou uma semana, Jean Carlos e seu companheiro, Igor de Andrade, falaram sobre a indignação com as autoridades que receberam diversos pedidos de socorro e que poderiam ter evitado a morte da filha.
“Teve uma omissão sistêmica, isso aconteceu desde o primeiro atendimento nos postos de saúde, na delegacia quando o pai foi registrar os boletins de ocorrência por maus-tratos e junto ao Conselho Tutelar, que também não cumpriu sua função social”, disse a advogada Janice Andrade.
Na casa onde a criança morava, bitucas e caixas de cigarro foram estavam espalhadas na varanda. Havia também garrafas de bebidas alcoólicas.
Instituições citadas
No vídeo, Carmo Dalla Vechia fala sobre suposta omissão de vários setores públicos. O g1 entrou em contato com o Conselho Tutelar, Ministério Público de Mato Grosso do Sul, secretaria municipal de Saúde e Polícia Civil para saber sobre a relação dos órgãos no Caso Sophia. Veja os posicionamentos abaixo.
Conselho Tutelar
A situação de Sophia também já havia sido denunciada ao Conselho Tutelar. O órgão revelou que em maio o pai da menina procurou ajuda, contou que a filha passava fome e era agredida e que por isso queria a guarda dele. Na época, as equipes foram ao local. “O poder investigativo é da polícia, a gente não consegue fazer investigação, vamos na residência, fazemos visita. A denúncia é que a criança não tinha alimentação e estava com hematomas, mas não foi isso constatado pela técnica, que chegou e viu a criança bem, sem hematomas, com alimentação, não tem como tirar a criança de lá se estava tudo bem”. Caso notasse a violência, o Conselho poderia ter pedido segurança e assistência social, a bebê. Não foi o que aconteceu. Ainda de acordo com o órgão de proteção, o caso registrado no caso registrado em maio na delegacia, as testemunhas sequer foram chamadas para prestar depoimento.
MPMS
"A Assessoria de Comunicação do MPMS, em contato com o Promotor de Justiça que atua no Juizado Especial, foi informada que referente ao caso da criança Sophie de Jesus Ocampo, foi registrado, em janeiro de 2022, um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por maus tratos, na 10ª Vara do Juizado Especial Central. Na época, foram ouvidas pela Polícia Civil: a avó e a mãe da criança que relataram não ter havido maus-tratos com a criança e que não havia interesse no procedimento criminal. Por sua vez, o comunicante da ocorrência, o pai, compareceu na audiência preliminar designada e informou perante a autoridade policial que os maus tratos não voltaram a repetir. Em razão da atipicidade material do fato o Ministério Público, requereu o arquivamento do feito. Por consequência, a Juíza Eliane de Freitas Vicente acolheu a manifestação do representante do Ministério Público e determinou o arquivamento do procedimento, ressalvada a possibilidade de desarquivamento, nos termos do que dispõe o artigo 18 do CPP. Em dezembro de 2022, uma nova ocorrência foi registrada junto à 11ª Vara do Juizado Especial e não foi distribuída ao MPMS.
Sesau
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apura se houve negligência no caso da menina Sophia Jesus Ocampo, de 2 anos, que foi atendida em postos de saúde de Campo Grande por 30 vezes antes de morrer. A Sesau investiga se houve falhas nos atendimentos prestados à menina. O processo administrativo vai ouvir servidores públicos da Sesau para colher informações. Tudo que for coletado durante a investigação será enviado à Justiça e Polícia Civil, segundo o secretário Sandro Benites. "Já está sendo apurado. Vamos investigar se houve ou não negligência em relação ao atendimento da Sesau. Tivemos com uma juíza da vara da infância para discutir assuntos diversos e o da Sophia foi um deles. Na suspeita, o médico tem a obrigação de comunicar os órgãos competentes. Não é na comprovação, mas na suspeita de abuso".
Polícia Civil
O pai da criança registrou em 22 de novembro de 2022 boletim de ocorrência de maus tratos, o genitor narrou quando do registro da ocorrência que a criança estava com a perna quebrada, que a genitora tinha sua guarda, mas as visitas eram livres e que mãe da criança afirmou que a criança quebrou a perna devido a uma queda no banheiro, afirmou que suspeitava que a criança pudesse estar sofrendo maus tratos na casa da genitora. O genitor não imputou os maus tratos à genitora ou ao padrasto, mas que suspeitava de maus tratos. Foi informado ao pai que ele poderia solicitar medidas protetivas de urgência para que Sophia não retornasse ao lar, mas o genitor afirmou que não queria. Foi expedido exame de corpo de delito parar a criança ir ao IMOL para realização de exame de corpo de delito, recebido por seu genitor. A genitora foi intimada a prestar esclarecimento e narrou que a criança retornou da casa dos pais, com intoxicação alimentar e bastante fraca, narrou que foi dar banho em Sophia e a criança caiu com a perna virada, levando-a para realizar raio x quando foi constatado fratura na tíbia, alegou que o genitor registrou boletim de ocorrência pois queria a guarda de Sophia. O genitor não levou a criança para realização de exame de corpo de delito, razão pela qual o termo circunstanciado de ocorrência foi autuado e encaminhado ao Poder Judiciário em 20/12/2022, sem laudo de exame de corpo de delito, que seria uma das provas da materialidade do delito. Instaurado o TCO, que é um procedimento enxuto e célere, cuja competência para julgar é dos Juizados Especiais Criminais, recebido pelo Judiciário.
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